Deus é Extraterrestre?
Teologia & Reflexão
Deus é Extraterrestre?
Uma brincadeira séria nascida numa aula de Física — 1988
Quando digo que Deus é extraterrestre, não estou falando do ET de Varginha, do Spielberg ou de qualquer ficção científica. Estou usando a palavra no seu sentido literal e etimológico: extra (fora) + terra (Terra). O que segue é a história de onde essa ideia nasceu — e por que ela é teologicamente séria.
A Sala de Aula e a Armadilha Lógica
Era 1988. Eu tinha 17 anos, era apaixonado por física e tinha um jeito peculiar de resolver problemas: chegava nas respostas sem fazer as contas intermediárias. O Prof. Deodato — ateu convicto — exigia o processo. Numa troca de provocações, eu disse a ele, sorrindo:
— "Fui abençoado por Deus. Se chego nos resultados, para que as contas?"
Ele não deixou barato. No dia seguinte, me chamou à frente da sala com ar de quem ia pregar uma peça. Pediu que eu bebesse um gole de água, mas mantivesse um pouco ainda no copo. Fiz. Então veio o raciocínio em etapas:
— A água que está no seu corpo é intra-corpórea, correto?
— Sim.
— E a que permanece no copo é extra-corpórea?
— Sim.
— A Lua é intra ou extra-terrestre?
— Extraterrestre.
— Deus habita nos céus?
— Portanto — concluiu ele, satisfeito — você acredita em um extraterrestre!
A Resposta que Ele Não Esperava
A sala esperava minha reação defensiva. Ao invés de recuar, naveguei no argumento dele:
— "Prof. Deodato, muito bem. Mas permita-me complementar: eu não só acredito nesse Deus extraterrestre, como acredito nos seus anjos, que operam numa dimensão que transcende a nossa percepção sensorial. Acredito que o extraterrestre Jesus saiu dessa dimensão, encarnou no ventre de Maria, nasceu, cresceu, viveu e morreu por mim — e ressuscitou diante de mais de 530 testemunhas. Acredito que Ele foi assunto aos céus e deixou dentro de mim outro ser extraterrestre: o Espírito Santo. E voltará para me buscar numa grande nave chamada arrebatamento."
— "No entanto, este extraterrestre é suficientemente poderoso para discernir corações. E há no mundo espiritual um risco real para quem escarnece d'Ele, porque Ele está presente agora, nesta sala, quando o senhor faz isso."
O silêncio que se seguiu foi diferente.
Nos dois anos seguintes, o Prof. Deodato e eu conversávamos quase diariamente sobre fé, filosofia, lógica e matemática. E dois anos depois daquele dia, aquele professor ateu passou a frequentar uma igreja batista.
Para honra e glória do Senhor.
Mas Então, Deus é um ET?
Não. De forma alguma.
Quando uso o termo extraterrestre aplicado a Deus, não estou falando do ET de Varginha, da criatura do Spielberg, nem de nenhuma fantasia de gibi ou desenho animado. Estou usando a palavra no seu sentido estritamente etimológico: extra (fora) + terra (Terra).
Se a água fora do meu corpo é extracorpórea, e a Lua fora da Terra é extraterrestre, então Deus — que é maior que o Universo, que contém o Universo e não é contido por ele — é, por definição lógica, extraterrestre. A Terra habita n'Ele. Não o contrário.
Isso não é reduzir Deus. É reconhecer que Ele não cabe em nenhuma categoria terrena. É o que a Escritura já afirmava há milênios:
"Eis que os céus e os céus dos céus não te podem conter."
— 1 Reis 8.27"Para onde me irei do teu Espírito? E para onde fugirei da tua presença? Se subir ao céu, lá estás tu; se fizer a minha cama no além, eis que tu estás lá."
— Salmos 139.7-8Deus não é terreno. Não é cósmico no sentido de estar limitado ao cosmos. Ele é o Criador e Sustentador de toda a realidade — visível e invisível, material e espiritual. O termo extraterrestre, quando aplicado a Ele, serve apenas para provocar uma reflexão que o vocabulário religioso cotidiano, às vezes pelo excesso de familiaridade, já não consegue mais provocar.
E foi exatamente isso que aconteceu em 1988, numa sala de aula em São Paulo, com um professor que queria me ridicularizar — e acabou encontrando o Senhor.
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