ANOTAÇÕES - LIVRO "Assim surge um adorador"
Capítulo 1
Antes de Eu Saber, Deus Já Estava Escrevendo Minha História
Nasci em 3 de março de 1971, na pequena cidade de São Jorge do Ivaí, no interior do Paraná.
Naquele dia, obviamente, eu não fazia ideia de que Deus já estava escrevendo uma história muito maior do que eu poderia compreender. Na verdade, nenhum de nós sabe. Quando nascemos, enxergamos apenas o início da caminhada. Deus, porém, já contempla o caminho inteiro.
Minha mãe havia nascido na região de Franca, interior de São Paulo, mas foi criada no Paraná. Meu pai era potiguar, nascido em Serra Negra do Norte, no Rio Grande do Norte. Era um daqueles homens que parecem carregar a estrada nos pés. Andarilho por natureza, percorreu muitos caminhos até parar em São Jorge do Ivaí.
Ele nasceu em um contexto católico, mas durante sua juventude converteu-se ao evangelho em uma igreja batista. Mais tarde, passou a congregar na Congregação Cristã no Brasil. Minha mãe e seus familiares também vieram do catolicismo e encontraram em Cristo uma nova vida.
Por isso, costumo dizer que não nasci apenas em uma família. Nasci em um lar de fé.
Não era uma fé perfeita. Não era uma fé sem lutas. Mas era uma fé viva.
Foi nesse ambiente que Deus começou a moldar minha história.
Pouco tempo depois de meu nascimento, meus pais mudaram-se para Palmital, no Paraná. Eu devia ter entre dois e três anos de idade.
Palmital se tornou o cenário das minhas primeiras lembranças.
Algumas delas são doces.
Outras carregam marcas profundas.
Mas todas, sem exceção, se transformariam em ferramentas nas mãos de Deus.
Uma das primeiras memórias que guardo é a do falecimento de meu irmão Rui Maro. Ele tinha apenas um ano e oito meses de idade.
Eu era muito pequeno, mas algumas imagens nunca saíram da minha mente.
Naquela época, especialmente no interior, os velórios aconteciam nas próprias casas. Lembro-me da vigília noturna. Os homens reunidos ao redor de uma fogueira. Um grande tacho de torresmos. O chimarrão passando de mão em mão. Conversas baixas cortando o silêncio da madrugada.
Também me recordo do momento em que o corpo de meu irmão foi levado para o sepultamento.
Era uma caminhonete Ford azul-clara.
Meu pai seguia na carroceria.
Minha mãe, consumida pela dor, desmaiou quando viu o cortejo partir.
São imagens que permaneceram vivas em minha memória por mais de cinquenta anos.
Naquele momento eu não entendia o sofrimento.
Mas hoje compreendo que Deus não desperdiça nenhuma experiência humana.
Nem mesmo a dor.
Nem mesmo as lágrimas.
Nem mesmo o luto.
Outra lembrança marcante daquela época envolve um acidente que só muitos anos depois revelaria suas consequências.
Meu pai precisou entrar rapidamente em casa e me pediu que segurasse a rédea de um cavalo.
Eu obedeci.
Em algum momento o animal se assustou. Não consigo me recordar do motivo.
O que lembro é de ser arrastado pelo chão, com as mãos presas às rédeas.
O acidente provocou um traumatismo craniano que somente seria identificado décadas depois, já na minha fase adulta, quando realizei exames de imagem.
Na infância, aquilo foi apenas mais um episódio.
Hoje, olhando para trás, percebo quantas vezes Deus me preservou sem que eu sequer percebesse.
Existem livramentos que reconhecemos no momento em que acontecem.
Outros só compreendemos muitos anos depois.
Mas talvez a memória mais importante daquele período esteja ligada à fé de meu pai.
Vivíamos em uma região onde havia conflitos de terras envolvendo posseiros. O clima era de tensão constante. Havia perseguições, ameaças e violência.
Meu pai havia conquistado o respeito de muitas pessoas por causa de seu coração generoso.
Quando uma das filhas de um grupo de posseiros faleceu, ele tomou uma decisão que muitos considerariam imprudente.
Mesmo sabendo que alguns daqueles homens o haviam jurado de morte, ofereceu ajuda.
Providenciou documentação.
Auxiliou nas despesas do funeral.
Emprestou pratos, talheres e utensílios.
Serviu pessoas que, em circunstâncias normais, deveriam ser consideradas seus inimigos.
A razão para isso não estava na coragem humana.
Estava em algo que Deus havia falado ao seu coração.
Meu pai acreditava ter recebido uma palavra do Senhor de que aqueles homens jamais avançariam contra sua família ou suas terras.
Outros fugiram.
Outros abandonaram a região.
Mas ele permaneceu.
Não por teimosia.
Por fé.
Algum tempo depois daquele funeral, os posseiros realizaram uma reunião entre eles.
Segundo fomos informados, decidiram que não fariam nenhum mal ao meu pai.
Ele estava protegido.
Quando olho para trás, percebo que essa foi minha primeira grande lição sobre fé.
Eu ainda era apenas uma criança.
Não entendia teologia.
Não conhecia doutrinas.
Não sabia explicar a providência divina.
Mas vi, com meus próprios olhos, um homem confiar na palavra de Deus quando todos os fatos ao seu redor diziam para fazer o contrário.
Foi ali que comecei a aprender uma verdade que me acompanharia por toda a vida:
A fé não elimina os riscos.
A fé apenas nos ensina em quem confiar quando os riscos existem.
Talvez eu ainda não soubesse, mas Deus já estava me ensinando as primeiras lições que mais tarde moldariam meu ministério.
Antes de eu subir em qualquer púlpito.
Antes de eu pregar qualquer sermão.
Antes de eu ensinar qualquer pessoa.
Deus já estava me ensinando através da vida.
Capítulo 2
Quando Deus Fecha uma Porteira para Abrir um Caminho
Depois que a situação envolvendo a posse da terra foi resolvida e as ameaças contra nossa família cessaram, meu pai tomou uma decisão importante: vender a propriedade.
Era o fim de um ciclo.
Na negociação, recebeu parte do pagamento em dinheiro e parte em um sítio menor, já formado em café, na região de Jussara, interior do Paraná.
Eu tinha aproximadamente cinco anos de idade.
Curiosamente, minha primeira lembrança daquele lugar não está ligada ao café, à casa ou à paisagem.
Está ligada ao meu carrinho de brinquedo.
Durante a mudança, viajávamos em um caminhão carregado com nossos pertences. Ao chegarmos na entrada do sítio, meu carrinho caiu da carroceria.
Imediatamente comecei a chorar e insistir para que fosse recuperado.
O motorista precisou parar.
Houve certa comoção.
Alguma reprimenda também.
Mas aquele pequeno incidente acabou marcando nossa chegada.
Foi o primeiro passo da nossa família naquela nova terra.
E eu me lembro dele como se tivesse acontecido ontem.
O sítio era bonito.
Para os olhos de uma criança, parecia enorme.
As lavouras de café ocupavam boa parte da propriedade, e havia um grande terreirão de cimento onde os grãos eram espalhados para secagem.
Mas o que mais chamava minha atenção era algo incomum.
Uma linha férrea cortava a propriedade.
Os trens passavam regularmente.
Os maquinistas buzinavam quando nos viam.
Nós corríamos para acenar.
As equipes de manutenção ferroviária também passavam por ali com frequência.
Muitas vezes pediam água.
Tomavam café.
Conversavam com meus pais.
Brincavam conosco.
Naquele tempo, o mundo parecia menor e as pessoas pareciam mais próximas.
Foi naquele terreirão que construí algumas das lembranças mais felizes da minha infância.
Foi ali também que nasceram minhas primeiras memórias do meu irmão Eduardo.
Ele era mais velho que Rui Maro, mas, por alguma razão, minhas recordações dele em Palmital são quase inexistentes.
Em Jussara, porém, tudo muda.
Consigo vê-lo claramente em minhas lembranças.
Nós dois correndo pelo terreirão.
Brincando entre os montes de café.
Observando os trens passarem.
Acenando para desconhecidos que respondiam com um sorriso ou uma buzina.
Quando penso naquela fase da vida, penso em felicidade.
Talvez tenha sido um dos períodos mais tranquilos da nossa infância.
Mas mesmo os tempos felizes carregam suas lições.
Foi naquele sítio que testemunhei a primeira discussão séria entre meu pai e minha mãe.
Ao menos a primeira da qual tenho consciência.
Até então, meus pais eram, aos meus olhos infantis, pessoas inabaláveis.
Naquele dia descobri que até os casamentos mais sólidos enfrentam tempestades.
Lembro-me da tensão.
Lembro-me de ouvir que minha mãe cogitava sair de casa e ir morar com seus irmãos.
Mas lembro-me, principalmente, do que aconteceu depois.
Meu pai reuniu a família ao redor da mesa.
Sentamos todos para jantar.
Ali, diante dos filhos, ele reconheceu seu erro.
Pediu perdão.
Fez uma oração.
E a paz foi restaurada.
Anos mais tarde, compreendi o valor daquele momento.
Meu pai era um homem moldado pelas durezas da vida.
Perdeu o próprio pai quando tinha apenas seis anos de idade.
Foi criado em circunstâncias difíceis.
Aprendeu cedo a sobreviver.
A vida o tornou forte.
Mas também o tornou duro em alguns aspectos.
Era um servo de Deus exemplar.
Um homem íntegro.
Generoso.
Corajoso.
Mas ainda humano.
Como todos nós.
Por vezes, especialmente na criação dos filhos, sua firmeza ultrapassava limites.
Naquela ocasião, porém, vi algo que me marcou profundamente.
Vi um homem reconhecer o próprio erro.
Vi um marido pedir perdão.
Vi um líder espiritual se humilhar diante da própria família.
E talvez sem perceber, meu pai estava me ensinando uma das maiores lições da liderança cristã:
A verdadeira autoridade não está em nunca errar.
Está em reconhecer quando erramos.
O sítio guardava ainda outro desafio para mim.
Havia um riacho atravessando parte da propriedade.
Sobre ele existia uma pinguela construída como uma espécie de escada improvisada.
Eu tinha verdadeiro pavor daquela travessia.
Toda vez que precisava passar por ali, sentia medo.
Hoje percebo que a vida é cheia de pinguelas.
Pequenas travessias que parecem assustadoras quando somos crianças.
Mas que, depois de atravessadas, se transformam apenas em parte da jornada.
Infelizmente, aquele período de paz não durou para sempre.
Vieram as geadas.
Geadas severas.
Daquelas que entraram para a história do Paraná.
O café, que sustentava milhares de famílias, foi destruído.
Lavouras inteiras desapareceram.
Sonhos congelaram junto com as plantações.
Nossa família também foi atingida.
Perdemos praticamente tudo.
O sítio precisou ser vendido.
Além do prejuízo da própria terra, havia dívidas bancárias decorrentes dos investimentos na produção.
Como se isso não bastasse, outro golpe viria.
Um tio meu, irmão de minha mãe, atuou na negociação da venda.
Como parte do pagamento, recebeu alguns cavalos e um carro para posterior comercialização.
Os bens foram repassados.
O dinheiro, porém, nunca chegou.
Meu pai jamais recebeu aqueles valores.
Perdemos a propriedade.
Perdemos parte do patrimônio.
Perdemos recursos que poderiam ajudar no recomeço.
Foi uma lição dura.
Especialmente porque a ferida não veio de um estranho.
Veio de alguém da própria família.
Mas a vida ainda me ensinaria que algumas das dores mais profundas são justamente aquelas causadas por pessoas próximas.
Quando tudo parecia ruir, restava apenas uma opção:
Recomeçar.
Assim, deixamos o sítio.
Deixamos os trilhos.
Deixamos os cafezais.
Deixamos o terreirão onde tantas memórias haviam sido construídas.
Mudamo-nos para Sarandi, na região metropolitana de Maringá.
Eu tinha cerca de seis anos de idade.
Não sabia ainda, mas Deus estava conduzindo nossa família para uma nova fase.
Uma fase que traria desafios ainda maiores.
E também experiências que marcariam minha vida para sempre.
Afinal, muitas vezes os capítulos mais importantes da nossa história começam exatamente quando pensamos que tudo foi perdido.
Mas Deus nunca termina uma história no capítulo da perda.
Ele continua escrevendo.
Capítulo 3
Quando a Vida Recomeça Outra Vez
Chegamos a Sarandi, no Paraná, trazendo conosco mais do que móveis e pertences.
Trazíamos perdas.
Trazíamos dívidas.
Trazíamos sonhos interrompidos.
E, principalmente, trazíamos a necessidade de recomeçar.
Meu pai estava próximo dos quarenta anos de idade.
Hoje, olhando para trás, consigo compreender melhor o peso daquela fase.
Ele já havia construído patrimônio.
Já havia sido proprietário rural.
Já havia experimentado prosperidade e estabilidade.
Agora estava começando novamente.
Do zero.
Com uma esposa.
Dois filhos pequenos.
E um futuro completamente incerto.
Comprou uma casa simples, dividida em duas partes.
Morávamos em uma delas e alugávamos a outra para complementar a renda.
Enquanto isso, meu pai começou a trabalhar como servente de pedreiro.
Pouco tempo depois, graças à sua disposição e habilidade, tornou-se pedreiro.
Era um homem acostumado ao trabalho duro.
Mas Deus ainda estava escrevendo capítulos que ninguém poderia imaginar.
Foi em Sarandi que aconteceu um dos testemunhos mais marcantes da nossa história familiar.
Certo dia, enquanto trabalhava em um andaime, meu pai passou mal.
Sentiu tonturas intensas.
Precisou ser amparado pelos colegas.
Preocupado, procurou atendimento médico.
Após os exames veio o diagnóstico.
Doença de Chagas.
Naqueles anos, ouvir esse diagnóstico era quase uma sentença.
Os médicos constataram que o coração estava severamente comprometido.
Havia um aumento significativo do órgão, que já pressionava a caixa torácica.
Segundo o médico, a situação era extremamente grave.
As palavras foram duras.
Diretas.
Sem muito cuidado.
Meu pai ouviu que poderia morrer a qualquer momento.
O prognóstico era devastador.
Não lhe davam mais do que alguns meses de vida.
Imagino hoje o impacto daquela notícia.
Dois filhos pequenos.
Uma esposa.
Uma vida sendo reconstruída.
E agora uma sentença de morte.
Mas foi exatamente nesse cenário que Deus decidiu intervir.
Poucos dias depois, meu pai e eu fomos a um culto da Congregação Cristã no Brasil, no Jardim Morangueirinha, em Maringá.
Meu pai era saxofonista.
Levou consigo seu sax tenor.
Tenho uma lembrança muito viva daquela noite.
Eu estava sentado aos seus pés, sobre o estojo marrom do instrumento.
Enquanto o culto acontecia, ouvi atentamente a mensagem pregada.
Em determinado momento, o pregador interrompeu a exposição e declarou algo que parecia impossível:
— Se você crer, Deus lhe dará o coração de uma criança de quinze anos.
E acrescentou:
— Você saberá que foi curado no dia em que for apresentado à sua desobediência e seu coração for colocado à prova.
Meu pai tomou aquela palavra para si.
Decidiu crer.
Abandonou os tratamentos.
Interrompeu os retornos médicos.
Hoje, olhando como adulto, não recomendo esse tipo de atitude. A fé jamais deve ser usada como desculpa para desprezar os recursos que Deus também concede através da medicina.
Mas aquele era meu pai.
Homem simples.
Homem de convicções profundas.
Homem que, quando acreditava ter recebido uma palavra de Deus, caminhava sobre ela sem olhar para trás.
E aquela não seria a última vez que ele faria algo semelhante.
Anos depois, outros acontecimentos voltariam a confirmar essa característica marcante de sua personalidade.
Enquanto isso, a vida seguia.
Foi em Sarandi que iniciei meus estudos formais.
Fiz ali a primeira série.
Foi também onde comecei a descobrir que existia um mundo além da igreja.
Até então, minha vida estava quase inteiramente limitada ao ambiente familiar e à comunidade de fé.
Mas a escola ampliou meus horizontes.
Pela primeira vez tive contato diário com pessoas que pensavam diferente.
Falavam diferente.
Viviam diferente.
Vieram os primeiros choques culturais.
Vieram também as primeiras zombarias.
Naqueles dias, ser evangélico era muito diferente do que é hoje.
E pertencer à igreja conhecida pelo uso do véu tornava tudo ainda mais visível.
Não eram raras as piadas.
As chacotas.
Os apelidos.
As pequenas humilhações que uma criança aprende a suportar.
Sem perceber, Deus já começava a me ensinar algo que seria importante para toda a minha vida ministerial:
Quem deseja permanecer fiel precisa aprender a conviver com a incompreensão.
Mas Sarandi também foi um lugar de descobertas espirituais.
Ali conheci homens de Deus que marcaram profundamente minha infância.
Um deles foi o irmão Pedrinho, cooperador de adultos da igreja local.
Era um homem que, segundo a compreensão daqueles dias, era usado por Deus de maneira extraordinária.
Vi testemunhos.
Vi pessoas libertas.
Vi situações que desafiaram minha lógica infantil.
Foi ali que comecei a compreender que o mundo espiritual era real.
Que Deus continuava operando.
Que milagres não pertenciam apenas às páginas da Bíblia.
E foi ali que nasceu algo novo dentro de mim.
Comecei a admirar o ministério.
Comecei a desejar tocar um instrumento.
Comecei, ainda sem saber, a ser atraído para aquilo que mais tarde definiria minha vocação.
Enquanto isso, outro conflito se desenvolvia dentro da nossa família.
Meu pai acreditava estar recebendo um chamado intenso da parte de Deus para atuar como missionário no Rio Grande do Norte.
Convencido disso, vendeu nossa casa.
Alugou outra provisoriamente.
E viajou sozinho para conhecer melhor a região.
Permaneceu cerca de sessenta dias no Nordeste.
Quando voltou, estava completamente convencido.
Queria mudar.
Queria obedecer ao chamado.
Queria começar uma nova etapa.
Mas minha mãe enxergava a situação de forma diferente.
É importante lembrar que estávamos no final da década de 1970.
A imagem que muitos sulistas possuíam do Nordeste era extremamente dura.
Havia medo.
Insegurança.
Preocupação.
Para ela, deixar tudo para trás e partir para uma região desconhecida parecia um risco grande demais.
Assim começou um impasse.
Meu pai queria ir.
Minha mãe não aceitava.
Nenhum dos dois estava sendo egoísta.
Ambos estavam tentando proteger aquilo que acreditavam ser melhor para a família.
Foi então que surgiu uma alternativa.
Em conversa com meu primo Otávio, homem muito próximo de nosso núcleo familiar apesar da diferença de idade, surgiu a oportunidade de mudar para Hortolândia, no interior de São Paulo.
A decisão foi tomada.
Mais uma vez nossa família faria as malas.
Mais uma vez recomeçaríamos.
Mas, olhando para trás, percebo que essa mudança teve um custo emocional profundo para minha mãe.
Em toda a região de Maringá, São Jorge do Ivaí, Cianorte, Londrina, Cambé e arredores estavam seus irmãos.
Suas irmãs.
Seus familiares.
Suas referências.
Seu mundo.
Ao deixar o Paraná, ela não estava apenas mudando de endereço.
Estava se afastando das pessoas que amava.
Hoje, mais de cinquenta anos depois, consigo enxergar algo que na época me passou despercebido.
Foi ali que começou um lento processo de saudade.
Uma espécie de murchar silencioso da alma.
Algo que se tornaria mais evidente nos anos seguintes.
Algo que marcaria profundamente sua história.
Mas essa é uma história para o próximo capítulo.
Partimos do Paraná rumo a São Paulo.
Viajávamos na boleia do caminhão da mudança.
Era final de 1978.
O Natal se aproximava.
À nossa frente estava uma estrada desconhecida.
Atrás de nós ficava tudo o que conhecíamos.
Mais uma vez Deus estava nos movendo.
E eu começava a aprender uma lição que a vida repetiria muitas vezes:
Nem toda mudança é escolha nossa.
Mas nenhuma mudança escapa ao controle de Deus.
Em Maringá-PR, no ano de 1.978 nasceu o Roberto, o quarto, já que o terceiro, Rui Maro, havia falecido. Roberto nasceu muito enfermo. Me recordo que dos primeiros 06 meses de vida, ele ficou mais tempo em hospitais, internado, que em casa. Mas sobreviveu, ganhou corpo, saúde e, quando da mudança, já era um bebezão robusto. Pronto para a vida. Levávamos para Hortolândia, não só saudades. Levámos um irmão, um filho, a mais. A família estava crescendo.
Perfeito. Ao separar o material em três capítulos, o Capítulo 4 ficou incompleto na resposta anterior, porque retirei os trechos que migraram para os capítulos 5 e 6. Abaixo está a versão consolidada e definitiva do Capítulo 4, encerrando-se exatamente após a recuperação milagrosa do Eduardo e antes dos acontecimentos que agora pertencem aos capítulos 5 e 6.
Capítulo 4
Quando a Dor Bate à Porta
Chegamos a Hortolândia na virada de 1977 para 1978.
Naqueles dias, Hortolândia ainda não era município. Era apenas um distrito de Sumaré, uma cidade que começava a nascer em meio ao barro vermelho do interior paulista.
Fomos morar no Parque dos Pinheiros.
Nossa casa era a quarta do quarteirão.
Não havia asfalto.
Não havia rede de esgoto.
A energia elétrica ainda era precária.
A água vinha de poços.
As ruas eram apenas caminhos de terra vermelha que se transformavam em lama sempre que a chuva chegava.
Apesar disso, para nós era um novo começo.
Meu pai havia construído uma bela casa de madeira, seguindo os padrões que aprendera no Paraná.
Era simples, mas acolhedora.
Lembro-me do piso vermelho.
Das brincadeiras no quintal.
Da sensação de liberdade que uma criança encontra mesmo em lugares modestos.
Eu estava iniciando a segunda série.
A escola ficava longe.
Todos os dias eu atravessava trechos de terra e algumas ruas asfaltadas para estudar.
Numa dessas caminhadas, perdi parte do material escolar recém-comprado numa enxurrada.
Para uma família que reconstruía a vida pela terceira vez, aquilo tinha peso.
Mas eram apenas os desafios normais da infância.
Ou assim pensávamos.
O ano mal havia começado quando tudo mudou.
Era fevereiro de 1979.
Estávamos em um culto de jovens e menores na igreja da Congregação Cristã no Brasil, em Hortolândia.
Enquanto alguns irmãos oravam dentro da igreja, entre eles o irmão Sandres, eu e meu irmão Eduardo fomos para a calçada.
Eu sempre fui mais obediente.
Mais cauteloso.
Mais preocupado em cumprir regras.
Eduardo era diferente.
Tinha um espírito livre.
Era dócil, carinhoso e alegre, mas gostava de desafiar limites.
Um amigo nos chamou do outro lado da avenida.
Tinha um suspiro para nos oferecer.
Aquele doce simples, aerado, tão comum nas padarias paulistas.
Recusei.
Sabia que não deveria atravessar.
Eduardo aceitou.
Atravessou.
Recebeu metade do doce.
Partiu aquela metade em duas partes.
E, sorrindo, acenou para mim.
Queria dividir comigo.
Foi a última imagem normal que tenho dele naquele dia.
Quando colocou o pé na pista para voltar, não teve tempo sequer de completar o segundo passo.
Uma ambulância o atingiu violentamente.
Até hoje existe algo de profundamente simbólico nessa memória.
Foi atropelado justamente por um veículo cuja função era salvar vidas.
O motorista estava embriagado.
Segundo testemunhas, sequer deveria estar dirigindo naquele estado.
No instante seguinte, tudo se transformou em caos.
O próprio motorista colocou Eduardo dentro da ambulância e partiu em direção ao pronto-socorro de Hortolândia.
Corri para dentro da igreja.
Avisei o irmão Sandres.
Ele imediatamente pegou sua Kombi e foi buscar meus pais.
Primeiro passou em nossa casa.
Minha mãe percebeu imediatamente que algo estava errado.
Perguntou pelo Eduardo.
Mas Sandres preferiu não responder.
Mandou que eu permanecesse em casa e foi buscar meu pai, que trabalhava nas proximidades.
Mesmo sendo domingo, ele estava marcando uma construção para um vizinho.
Quando retornaram, coube ao meu pai contar o ocorrido.
Naquele momento já tínhamos o Roberto, ainda bebê.
Não era possível sairmos todos imediatamente.
Meu pai apenas lavou o rosto, as mãos e, ainda de chinelos, partimos para o hospital.
Ao chegarmos em Hortolândia, Eduardo já havia sido transferido para Sumaré.
Seguimos para lá.
A estrada era estreita e sinuosa.
Foi durante esse trajeto que aconteceu algo que marcou profundamente meu pai.
Em determinado momento, a porta da Kombi abriu-se repentinamente.
Ele segurava a maçaneta e quase foi lançado para fora do veículo.
Seu chinelo arrebentou.
Por um instante, sentiu-se completamente vulnerável.
E foi naquele momento que se lembrou da palavra recebida anos antes em Maringá.
Aquela mesma palavra relacionada à sua cura da doença de Chagas.
"Você saberá que está curado quando for confrontado com sua desobediência."
Meu pai concluiu imediatamente que havia desobedecido a Deus ao não insistir na mudança para o Rio Grande do Norte.
Se tivesse ido.
Se tivesse obedecido.
Se tivesse sido mais firme.
Talvez Eduardo não estivesse entre a vida e a morte.
Durante décadas essa interpretação acompanhou nossa família.
Meu pai carregou a culpa por não ter ido.
Minha mãe carregou a culpa por ter resistido.
E ambos sofreram sob o peso de perguntas que jamais poderiam ser respondidas.
Hoje, olhando para trás como pastor e estudante da Bíblia, compreendo as coisas de forma diferente.
Creio que nossas escolhas possuem consequências.
Creio que Deus dirige a história.
Mas também aprendi que nem toda tragédia é um castigo.
Nem toda dor é punição.
Nem todo sofrimento pode ser explicado por uma falha humana específica.
Há mistérios que pertencem somente a Deus.
E há dores que exigem fé, não explicações.
Eduardo permaneceu noventa dias internado.
Noventa dias entre a vida e a morte.
Primeiro em Sumaré.
Depois no Hospital Penido Burnier, em Campinas, onde havia recursos adequados para seu tratamento.
Minha mãe passava os dias ao lado dele.
Meu pai trabalhava como pedreiro durante o dia e dormia no hospital à noite.
Enquanto isso, em casa, permanecíamos eu e meu irmão mais novo.
Minha mãe entrou em profundo sofrimento emocional.
A mulher doce e equilibrada que eu conhecia começou a desaparecer sob o peso da dor.
Muitas vezes ela descontava sua angústia em mim.
Eu tinha apenas oito anos.
Mas ouvia acusações que nenhuma criança deveria ouvir.
— Você era o mais velho.
— Você deveria ter cuidado dele.
— Você deveria ter impedido.
Naquele momento eu não possuía maturidade para entender que aquelas palavras não vinham de maldade.
Vinham de uma mãe desesperada.
Mesmo assim, deixaram marcas.
Marcas que levariam muitos anos para cicatrizar.
Depois de três meses, Eduardo recebeu alta.
Mas não voltou para casa andando.
Voltou em uma maca.
Sem movimentos adequados.
Dependente de sonda para se alimentar.
Com dores constantes.
Os gemidos eram frequentes.
De dia.
De noite.
A cada gemido, a tensão dentro de casa aumentava.
O sofrimento parecia não ter fim.
Mas Deus ainda não havia terminado aquela história.
Nove meses após o acidente, um homem de Deus chamado irmão Misael visitou nossa casa.
Era um amigo querido da família.
Homem respeitado por sua comunhão com Deus.
Ao ver a situação de Eduardo, ajoelhou-se ao lado de sua cama.
Fez um voto diante do Senhor.
Pediu que Deus restaurasse aquele menino.
E declarou que, se ao retornar dali trinta dias Eduardo estivesse falando e se alimentando normalmente, daria testemunho público daquilo.
Trinta dias depois, algo extraordinário aconteceu.
Eu voltava da escola quando algumas crianças da vizinhança correram ao meu encontro.
Gritavam:
— O Eduardinho está falando!
— O Eduardinho está sentado!
Corri para casa.
E lá estava ele.
Sentado.
Falando baixinho.
Comendo.
Era um milagre.
Nossa casa tornou-se conhecida em toda a região.
Pessoas vinham de vários lugares.
Oravam conosco.
Compartilhavam testemunhos.
Buscavam esperança.
Durante meses, quase diariamente, pessoas chegavam para visitar, orar e ouvir aquilo que Deus havia feito.
Aquele milagre não apagou todas as marcas da dor.
Não apagou os traumas.
Não respondeu todas as perguntas.
Mas trouxe algo que nossa família desesperadamente precisava:
Esperança.
Pela primeira vez desde o acidente, conseguimos enxergar luz no fim do túnel.
E embora ainda não soubéssemos, Deus estava usando aquela temporada de sofrimento para preparar cada um de nós para os desafios que ainda viriam.
A dor havia entrado em nossa casa.
Mas ela não teria a última palavra.
Porque, mesmo quando não compreendemos seus caminhos, Deus continua escrevendo nossa história.
Capítulo 5
Quando a Infância Termina Antes da Hora
O acidente de Eduardo não trouxe apenas sofrimento físico para ele.
Trouxe profundas consequências para toda a nossa família.
Embora o milagre de sua recuperação tenha renovado nossa esperança, os anos que se seguiram continuaram sendo extremamente difíceis.
Minha mãe jamais se recuperou completamente daquele trauma.
Hoje consigo enxergar algo que não percebia quando era criança.
Ela chegou a Hortolândia já emocionalmente fragilizada.
A mudança do Paraná havia sido dolorosa.
Ela deixara para trás praticamente toda sua família.
Irmãos.
Irmãs.
Sobrinhos.
Amigos.
Memórias.
Tudo o que representava segurança emocional.
Poucos meses depois veio o acidente de Eduardo.
Foi peso demais para um único coração.
Os anos seguintes seriam marcados por sucessivas internações.
Minha mãe engravidava com frequência.
Mas não conseguia levar as gestações adiante.
Possuía graves problemas hemorrágicos e dificuldades relacionadas à coagulação.
As perdas se repetiam.
As internações também.
Naquele tempo, por convicções religiosas e pela compreensão limitada que possuíamos sobre muitos temas, métodos contraceptivos sequer eram considerados uma possibilidade.
Assim, nossa família vivia em constante tensão.
A qualquer momento uma nova gravidez poderia surgir.
E junto dela, novos riscos.
Novos sofrimentos.
Novas hospitalizações.
Foi nesse contexto que minha infância começou a mudar.
Sem que ninguém planejasse.
Sem que ninguém desejasse.
Mas porque a vida exigiu.
Meu pai trabalhava incansavelmente para sustentar a casa.
Minha mãe passava longos períodos internada.
E alguém precisava assumir responsabilidades.
Esse alguém, muitas vezes, fui eu.
Ainda criança, aprendi a cozinhar.
Aprendi a limpar a casa.
Aprendi a cuidar dos irmãos menores.
Aprendi a trocar fraldas.
Aprendi a resolver problemas.
Não porque era especial.
Mas porque era necessário.
Naquele tempo eu não entendia.
Hoje percebo que Deus estava desenvolvendo algo importante dentro de mim.
Responsabilidade.
Empatia.
Serviço.
Capacidade de cuidar de pessoas.
Características que mais tarde seriam fundamentais para o ministério.
Foi nesse período que nasceu minha irmã Telma.
No dia 1º de agosto de 1980.
Sua chegada trouxe alegria para uma casa que havia chorado tanto.
Mas também trouxe novos desafios.
Minha mãe continuava debilitada.
E foi então que Deus nos presenteou com alguém extraordinário.
Nossa vizinha Lila.
Embora não possuíssemos qualquer parentesco sanguíneo, ela se tornou parte da família.
Mais do que isso.
Tornou-se uma segunda mãe.
Foi ama de leite da Telma.
Foi protetora.
Conselheira.
Cuidadora.
Presença constante.
Quando olho para trás, vejo nela uma expressão concreta da graça de Deus.
Porque existem momentos em que Deus responde nossas orações através de pessoas.
E dona Lila foi uma dessas respostas.
Ela cuidou de nós quando muitos não podiam.
Protegeu nossa família quando estávamos fragilizados.
Amou-nos sem obrigação alguma.
Até hoje guardo profunda gratidão por aquilo que ela representou em nossa história.
Anos depois compreenderia uma verdade importante:
Família nem sempre é apenas quem compartilha nosso sangue.
Muitas vezes, família é quem decide caminhar conosco quando a vida se torna difícil.
Enquanto tudo isso acontecia, eu continuava crescendo.
Mas já não era apenas uma criança.
A dor havia acelerado processos.
As responsabilidades haviam amadurecido algumas áreas da minha vida.
Sem perceber, Deus estava me ensinando algo que seria essencial para um pastor:
Antes de aprender a falar para pessoas, precisamos aprender a cuidar delas.
E foi exatamente isso que Ele começou a fazer dentro de mim.
Capítulo 6
Os Primeiros Sinais do Chamado
Enquanto nossa família enfrentava lutas e recomeços, Deus trabalhava silenciosamente em outra área da minha vida.
Meu chamado.
Na época, eu não tinha consciência disso.
Era apenas um menino crescendo em meio às dificuldades.
Mas hoje consigo enxergar claramente as marcas da providência divina.
Foi em Hortolândia que comecei meus estudos musicais.
Eu tinha aproximadamente nove anos de idade.
A música já fazia parte do ambiente familiar por causa do exemplo do meu pai.
Mas agora ela começava a fazer parte da minha própria história.
Os ensaios.
Os instrumentos.
As primeiras notas.
Tudo aquilo despertava algo dentro de mim.
Pouco tempo depois comecei a tocar na orquestra da igreja.
Ainda muito jovem.
Ainda aprendendo.
Mas já experimentando a alegria de servir.
A música foi uma das primeiras escolas que Deus utilizou para me ensinar disciplina, sensibilidade e dedicação.
Mas não foi a única.
Na mesma época enfrentei um problema de saúde que marcou profundamente minha infância.
Desenvolvi uma lesão grave na língua.
Com o passar do tempo, os exames indicaram algo preocupante.
Falava-se em câncer.
Os meses seguintes foram de sofrimento.
Dor.
Incerteza.
Medo.
Mas também foram meses em que Deus começou a revelar algo sobre meu futuro.
Durante uma oração, uma palavra profética foi entregue.
Segundo aquela mensagem, Deus tinha um propósito ministerial para minha vida.
E aquela enfermidade seria uma tentativa de impedir algo que o Senhor pretendia realizar.
Naquele momento eu não compreendia completamente o significado daquelas palavras.
Mas me agarrei à esperança.
Depois de um período difícil, recebi oração novamente.
E fui curado.
Hoje reconheço que aquela experiência produziu duas convicções profundas em mim.
A primeira:
Deus continua operando milagres.
A segunda:
Quando Deus estabelece um propósito, nenhuma oposição tem a palavra final.
Enquanto isso, outro assunto voltava a ocupar os pensamentos de meus pais.
O chamado missionário para o Rio Grande do Norte.
Anos antes, meu pai havia desejado obedecer àquilo que acreditava ser uma direção de Deus.
Mas a mudança não aconteceu.
Agora, porém, algo havia mudado.
Minha mãe também havia sido alcançada por essa convicção.
Certa vez, durante um culto, ouviram um testemunho missionário extremamente impactante.
A mensagem era simples.
Mas poderosa.
O melhor lugar do mundo não é o mais confortável.
É o lugar onde Deus deseja que estejamos.
Ao final daquele culto, minha mãe tomou uma decisão.
Disse ao meu pai que estava pronta.
Se Deus havia chamado, então deveriam obedecer.
Custasse o que custasse.
Aquela decisão mudou o rumo da nossa história.
Mais uma vez colocamos nossa vida em movimento.
Mais uma vez vendemos aquilo que possuíamos.
Mais uma vez deixamos para trás aquilo que havíamos construído.
Nossa casa.
Nossos amigos.
Nossa rotina.
Nossas referências.
Era 1984.
Depois de aproximadamente cinco anos em Hortolândia, chegava a hora de partir.
Curiosamente, dessa vez quem tinha dificuldade para aceitar a mudança era eu.
Gostava daquela cidade.
Gostava da escola.
Gostava da igreja.
Gostava dos amigos.
Talvez pela primeira vez estivesse verdadeiramente enraizado em algum lugar.
Mas aprendi algo importante observando meus pais.
Nem sempre obedecer a Deus é confortável.
Nem sempre faz sentido.
Nem sempre coincide com nossos desejos.
Ainda assim, vale a pena.
Eu não demonstrei resistência.
Não reclamei.
Não argumentei.
Apenas segui.
Mal sabia que aquela viagem me levaria para um dos períodos mais transformadores da minha vida.
O destino era Caicó, no interior do Rio Grande do Norte.
E Deus estava prestes a abrir um novo capítulo da história que Ele vinha escrevendo desde antes do meu nascimento.
Uma história que, cada vez mais, deixava de ser apenas a história da minha família.
E começava a se tornar a história do chamado de Deus sobre a minha vida.
Apêndice com alguns tópicos importantes que ocorreram comigo, individualmente, em Hortolândia:
a) - Ali, comecei a aprender música e ganhei meu primeiro instrumento, aos 11 anos (meu pai não tinha condição de comprar, a igreja me deu de oferta!). Fiquei 02 anos, estudando música, sem poder tocar, por não ter o instrumento. Meu sonho era o saxofone, mas, o instrumento que chegou a mim, foi o trumpet, ali na frente, este instrumento foi super importante na minha vida;
b) - Estive enfermo e Deus me curou e houve voz profética, sobre o meu futuro, que já se cumpriu!;
c) - Quase morri, tentando nadar em represas e rios, longe do conhecimento dos meus pais, e, ao menos duas vezes, fui salvo por um outro rapaz, pouco mais velho que eu. Sim, eu era afoito e Deus cuidou de mim!;
d) - Foi um período traumático, o acidente com o meu irmão, culpas a mim atribuídas por minha mãe, e/ou, por mim mesmo, na culpa, auto imposta me marcaram e geraram consequencias na minha personalidade e posturas futuras;
e) - O meu pai, que até então, não era agressivo comigo, passou a ser um pai espancador. Ele ia doutrinar, ia orientar, mas se perdia nas emoções e, começava a bater, e daí, passava a espancar, não raramente com muita brutalidade. Essa mudança de perfil dele, acompanhada com os traumas do acidente do meu irmão Eduardo, bem como, das culpas a mim atribuídas pela minha mãe, me marcaram muito.
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